Bruno Henrique viu seu processo no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) ser encerrado na tarde de ontem, quando o Pleno modificou sua suspensão de 12 jogos em caso de manipulação de apostas, e o condenou apenas a pagar multa de R$ 100 mil. Esta era a última instância no âmbito desportivo, mas a história pode ainda não ter chegado ao fim.
No início de setembro, o atacante do Flamengo havia sido condenado no artigo 243-A, que fala em “atuar de forma contrária à ética desportiva, com o fim de influenciar o resultado de partida”. A acusação era a de ter forçado um cartão amarelo para beneficiar apostadores em um jogo do Brasileirão de 2023, contra o Santos, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.
Tanto a defesa quanto a Procuradoria recorreram nos dias seguintes, com um lado buscando absolvição completa, e outro tentando ampliar a pena. O camisa 27 vinha atuando sob efeito suspensivo desde então, a espera do resultado enfim proferido nesta quinta-feira.
Se a suspensão de jogos se mantivesse no Pleno, era certo que a defesa do Flamengo e de Bruno Henrique buscariam instâncias superiores. Porém, com o resultado, a bola passou para o lado da acusação. E, conforme apurou o GLOBO, é improvável que a Procuradoria do STJD recorra a outro órgão para que o jogador seja punido.
Na mira do Ministério Público
O que a defesa ainda precisará se atentar é à denúncia que corre na Justiça Comum. Em abril deste ano, a Polícia Federal indiciou o jogador por fraude esportiva e ele foi denunciado pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) no artigo 200 da Lei Geral do Esporte.
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O texto fala em “fraudar, por qualquer meio, ou contribuir para que se fraude, de qualquer forma, o resultado de competição esportiva ou evento a ela associado”, e prevê pena de reclusão, que vai de dois a seis anos, além de multa. Bruno Henrique ainda será julgado nessa esfera, na qual não contará com o auxílio jurídico do clube.
— Isso não é um caso que é cuidado pelo Flamengo. Não é da seara do clube, mas da seara pessoal do atleta — comentou Michel Asseff Filho, advogado do rubro-negro, após o julgamento de ontem.
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A defesa do camisa 27 também não quis comentar sobre novos desdobramentos no caso, mas a reportagem apurou que todos seguem tranquilos de que não existiu uma infração passível de ser punida no Judiciário. Ontem, ainda no STJD, o advogado Alan Flávio comentou a decisão do Pleno.
— O Bruno, ao longo desses últimos meses, sempre esteve tranquilo sobre a conduta dele, a inocência dele, que ele jamais cometeu nenhum ato que agredisse o futebol brasileiro. Veio prestigiar o tribunal. Sempre confiou que o tribunal faria uma análise detalhada, como fez. O voto do relator foi brilhante, irretocável. E os demais votos se debruçaram muito bem sobre tudo que foi provado e demonstrado nos autos. O resultado não poderia ter sido diferente, e o Bruno agradece toda a solidariedade que ele recebeu nesse momento — declarou Alan Flávio.
Na ação do Ministério Público, além de Bruno Henrique e do seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, estão envolvidos Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Andryl Reis e Douglas Barcelos, todos amigos de Wander. Também estão envolvidas Ludymilla Araújo Lima, esposa de Wander, e Poliana Ester Nunes Cardoso, prima de Bruno Henrique — ambas estiveram fora da mira do STJD.
Por enquanto, porém, Bruno Henrique está oficialmente liberado para atuar nesta reta final de temporada. Neste sábado, às 18h30, o Flamengo volta a campo pelo Brasileirão, em visita ao Sport, em jogo atrasado da 12ª rodada.

