nova proposta de empréstimo mantém juros elevados e frustra estatal

por Assessoria de Imprensa


Em nova rodada de negociações, os Correios receberam uma segunda proposta de empréstimo nesta semana, mas as condições foram muito similares à primeira oferta, que desagradou a cúpula da estatal, apurou O GLOBO.

Segundo interlocutores a par do assunto, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Banco do Brasil manifestaram novamente interesse em seguir com a operação, assim como na primeira rodada, mas um custo muito parecido com a oferta anterior.

Na proposta, os Correios tinham dito que queriam captar até R$ 20 bilhões, com uma taxa máxima de 120% do CDI. Diante da resposta, a empresa ainda está tentando negociar com os bancos, mas já está em contato com o Ministério das Comunicações e com o Tesouro Nacional, que deve analisar a possibilidade de um aval da União ao empréstimo.

Procurados, os bancos não comentaram o assunto. Os Correios disseram que “mais informações poderão ser divulgadas oficialmente após a avaliação e liberação pelos órgãos supervisores competentes”.

Assim que assumiu os Correios, no fim de setembro, o presidente Emmanoel Rondon anunciou que a empresa estava em busca de um empréstimo de R$ 20 bilhões para dar fôlego à estatal no curto prazo. Os recursos são necessário para reequilibrar o caixa, pagar dívidas em atraso para retomar a normalidade da operação e colocar de pé o plano de reestruturação da empresa. Assim, a expectativa é reverter o prejuízo em 2026.

Na primeira rodada de conversas, contudo, a taxa de juros cobrada pelos quatro bancos foi considerada muito elevada para uma operação que deve ser avalizada pelo Tesouro Nacional — ou seja, se a empresa não pagar, a União arca com o custo. O risco para as instituições financeiras, na prática, é zero.

A taxa oferecida chegou a 136% do CDI, o que acarretaria um custo de cerca de R$ 3 bilhões por ano somente de juros, segundo um interlocutor envolvido nas negociações. O Comitê de Garantias do Tesouro estabelece um custo máximo aceitável para que uma operação seja elegível à garantia da União, que atualmente é de 120% do CDI.

O percentual não é uma restrição em si, mas uma prática usada pelo órgão para evitar excessos nas operações de crédito com estatais e entes subnacionais. Empréstimos para estados em regime de recuperação fiscal, por exemplo, não observam esse limite, porque são naturalmente mais arriscados.

No caso dos Correios, porém, a ideia era perseguir esse parâmetro. Por isso, a estatal abriu uma nova rodada de negociações para tentar levantar ao menos R$ 10 bilhões e ampliou o rol de bancos consultados.

Nesta sexta-feira, os Correios divulgaram balanço que mostra prejuízo de R$ 6 bilhões até o terceiro trimestre deste ano. No mesmo período de 2024, o resultado acumulado era negativo em R$ 2,1 bilhão.

De acordo com comunicado interno, no terceiro trimestre, a empresa teve nova redução de receitas e aumento nas despesas operacionais, além de maior exigência na gestão de obrigações judiciais e trabalhistas.

Os dados do balanço mostram que houve um prejuízo de R$ 1,690 bilhão no terceiro trimestre, contra um resultado negativo de R$ 785,5 bilhões no mesmo período do ano passado.

No documento, a empresa afiram que os serviços postais enfrentam déficit decorrente da queda progressiva na receita de vendas e do aumento das despesas — impulsionado pela inflação acumulada, reajustes salariais, passivos judiciais, elevação do custo de insumos e pressões da atuação nacional.

A estatal reconhece que, no segmento concorrencial, operadores privados evoluíram “com modelos de negócios dinâmicos, oferecendo jornadas de atendimento flexíveis e convertendo custos fixos em variáveis por meio de entregas terceirizadas”. Nesse contexto, a administração conduz a gestão do plano de reestruturação.

Até junho, a empresa havia registrado prejuízo acumulado de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025. Apenas no segundo trimestre, entre abril e junho, o resultado negativo atingiu R$ 2,6 bilhões, quase cinco vezes o registrado em igual período do ano anterior, de R$ 553,1 milhões. O fluxo de caixa mensal é negativo em cerca de R$ 750 milhões.

Como mostrou o GLOBO, estimativas internas apontam para um resultado negativo de R$ 10 bilhões este ano e R$ 23 bilhões em 2026, se não houver avanços no plano de reestruturação da empresa. .

No documento divulgado nesta sexta-feira, os Correios sustentam que, a partir do ano que vem, pretende apresentar medidas estruturais visando o aumento de receitas e redução de despesas. “Entre elas estão: redução de despesas; reorganização de unidades com baixa eficiência; modernização de estruturas e sistemas; automação logística; fortalecimento do compliance de passivos judiciais; redução do déficit do Postal Saúde. O foco dessa fase é recuperar eficiência e reduzir desperdícios”, lista a empresa.



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