MPRJ abre inquérito para investigar mortes em operação da Polícia Civil do Rio

por Assessoria de Imprensa


 O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) confirmou, neste sábado (29/11), que abriu uma investigação para apurar as circunstâncias das três mortes causadas durante uma operação emergencial da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), realizada na terça feira (26) no Complexo da Maré, na Zona Norte da capital fluminense. No dia 27, foi instaurado um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) pela 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo da Capital.

O confronto, além dos três mortos, deixou uma criança baleada. Um suspeito foi preso. O corpo de uma das vítimas, identificado por familiares como Bruno Paixão, 36 anos, que seria um vendedor de queijos da região, chegou a ser considerado desaparecido por algumas horas, mas foi posteriormente localizado e reconhecido.

A família de Paixão negou que ele tivesse qualquer envolvimento com o crime organizado. Imagens que circulam nas redes sociais mostram sua Kombi branca com o parabrisa perfurado por diversos tiros.

A PCERJ contesta essa versão, afirmando que o vendedor “não era um inocente na cena” e que “as imagens mostram sua participação ativa no tráfico” (confira abaixo). Segundo a polícia, Bruno tinha envolvimento com o tráfico de drogas, coordenava um “bunker de observação armada” perto de uma creche e morreu em confronto, sendo encontrada uma pistola em sua posse.

A Polícia Civil afirma ainda que os três mortos eram integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) e atuavam como seguranças do chefe do tráfico. No total, os agentes apreenderam dois fuzis e uma pistola.

O MPRJ, por sua vez, disse estar tomando medidas investigativas para esclarecer as circunstâncias das mortes. O MP solicitou os registros das câmeras corporais dos policiais envolvidos.

“No despacho que determina as diligências iniciais, o MPRJ requisitou todos os registros das câmeras corporais dos policiais envolvidos, bem como laudos de local, de necropsia, Boletins de Atendimento Médico (BAMs), relatórios, termos de declaração e demais documentos já produzidos no inquérito policial instaurado. Também foram determinadas as oitivas de testemunhas e familiares das vítimas”, acrescentou o órgão.

Durante o confronto, um aluno do 6º ano foi atingido na perna dentro da Escola Municipal Hélio Smidt. Ele recebeu atendimento inicial na Clínica da Família da Maré, onde o projétil foi removido, e foi transferido para o Hospital Getúlio Vargas. A criança estava no pátio no momento em que foi ferida.

Além disso, quatro unidades de saúde tiveram o funcionamento interrompido, e escolas da região suspenderam as atividades presenciais. Disparos também atingiram e atravessaram o prédio da Faculdade de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no Campus do Fundão, com alunos encontrando os projéteis no interior da unidade, e suas atividades também foram suspensas.

A Fundação Oswaldo Cruz acionou o Plano de Contingência (alerta nível 3), orientando servidores e estudantes a permanecerem dentro dos prédios do Campus da Maré. A Linha Amarela chegou a ser totalmente interditada no sentido Fundão, na altura da Vila do João, por cerca de 15 minutos.

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