como os palmeirenses encararam a derrota nos arredores do Allianz Parque, em SP

por Assessoria de Imprensa


Quando o árbitro Darío Herrera apitou o fim da partida que consagrou o Flamengo tetracampeão da Libertadores da América, a mancha verde que lotava as esquinas das ruas Caraíbas e Venâncio Aires, em São Paulo, não conteve os gritos de revolta. Rapidamente, porém, os xingamentos se transformaram em uma respeitável salva de palmas para os jogadores que saíam do Estádio Monumental de Lima.

Os torcedores que preferiram ver o jogo nos arredores do Allianz Parque, na Barra Funda, custaram a perder a esperança. Faltavam 30 segundos para o fim da prorrogação e uma moça gritou “vai virar! vai virar!” quando a bola se aproximou pela última vez do gol do Flamengo. Aos 43 minutos do segundo tempo, quando o Palmeiras perdeu mais uma chance de marcar, gritos de raiva se confundiram com brados de “eu acredito”.

Multidão palmeirense acompanha final da Libertadores em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira
Multidão palmeirense acompanha final da Libertadores em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira

Desde o meio da tarde, o público ocupava as ruas da Barra Funda, onde não faltam bares com temática palmeirense. A torcida estava animada. Cantavam que a Libertadores era uma “obsessão”, que o time liderado por Abel Ferreira tinha que “jogar com alma e coração” e que eles eram “Palmeiras até morrer”.

Havia uma ansiedade alegre no ar. Uma moça mandou mensagem para a mãe dizendo que estava adorando ver o jogo no meio da multidão: “parece bloquinho de carnaval”. Uma mulher levantou a blusa e amamentou o filho ali mesmo.

O clima começou a pesar quando, aos 31 minutos, Pulgar deu uma entrada em Fuchs, que ficou caído no chão. Mesmo assim, para a revolta dos torcedores da Barra Funda, o volante não foi expulso, levou apenas um cartão amarelo.

Aos 21 minutos de segundo tempo, o zagueiro Danilo fez o gol do Flamengo. Depois de segundos de silêncio incrédulo, começou o coro: “O Palmeiras é o time da virada/ O Palmeiras é o time do amor”. O grito de guerra continuou, às vezes meio desanimado, até a confirmação da derrota.

Alguns torcedores fechavam os olhos e pareciam pedir ajuda do céu. Outros questionavam as escolhas de Abel e as decisões do juiz. Aos 30 minutos do segundo tempo, um homem tentou animar o pessoal: “Tá melhorando! Tá melhorando!”. Toda vez que o Palmeiras se aproxima do gol do adversário, o público vibrava e os gritos de guerra saiam mais fortes. Quando começou a prorrogação, uma moça berrou: “vai pra cima, Palmeiras!”. Mas não deu.

Enquanto a multidão se dispersava mais ou menos em silêncio, os palmeirenses já apontavam o culpado pela derrota: Abel Ferreira.

— O problema do Abel é que ele é louco. Gostamos milhões com esse elenco, mas o time não tem repertório nenhum. É só chutão de goleiro e chuveirinho. Assim o time fica vulnerável — desabafou Daniel Correa, que veio com a mulher e a filha de Cambuí, no Sul de Minas, para ver o jogo na vizinhança do estádio do Palmeiras.

Viviane Correa, a esposa, garantiu que a família segue confiante de que o tetra vem em 2026, porque “o palmeirense é sem-vergonha”, perdoa fácil e não desiste de acreditar.

Enquanto a maioria dos torcedores ia embora, alguns rapazes ainda cantavam e acendiam fogos. Na equina das ruas Caraíbas e Palestra Itália, um grupo derrubou os tapumes que separavam as duas vias. A polícia militar isolou o local.



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